A noite do dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, foi carregada de poesia e reflexão quando alguns atores deram vida a textos importantes que retratam a literatura negra .

O ator Déo Garcez apresentou a obra da poeta paulistana Souza Anamari (pseudônimo da autora Mariana Souza).

Enquanto isso, o rapper e nesta ocasião, também mestre de cerimônias, Rappin’ Hood, declamava o poema “A vida é loka” do escritor Sérgio Vaz.

Romeu Evaristo, por sua vez, deu vida à composição “Poeta do Morro” de autoria do cantor Luiz Melodia que também a gravou.

Vale ressaltar que a Sala São Paulo também foi fortemente impactada quando a atriz, Maria Ceiça, emergiu do camarote recitando o texto da poeta e romancista Conceição Evaristo.

Logo depois, a atriz Maria Gal encerrava as declamações com a poesia Da minha consciência ancestral escrita pela poeta Aline Djokic:

Ontem, sentada frente ao espelho

Ia cuidar dos meus cabelos

Com o creme de alisamento

Abri o pote e o forte cheiro

Adentrou‐me as narinas tão violento

Fazendo‐me fechar os olhos

Por um momento

Abri‐os novamente e ela estava lá

Sentada ao pé da cama a me mirar

Pés e mãos acorrentados

A lágrima no rosto a brilhar

De onde vem, sussurrei

Do outro lado do mar

O fedor aqui é tão forte

Já não posso respirar

Ontem, sentada frente ao espelho

Ia cuidar dos meus cabelos

Esperava a chapinha esquentar

Estiquei a primeira mecha

Mas, descuidada queimei a testa

Senti a pele a latejar

Fechei os olhos, contendo a dor e o ódio

E quando os abri, ela já estava lá

Na bochecha uma cicatriz

Quem lhe fez isso? Saber eu quis

Ela levantou‐se e tocou minha queimadura

Depois falou‐me com ternura:

Agora a qualquer lugar onde eu for

Saberão sempre quem é meu senhor

Ontem sentada frente ao espelho

Resolvi amar os meus cabelos

Sussurrei seu nome com zelo

Esperei ela se sentar

Ela se achegou sem receio

Recostou minha cabeça em seu seio

Começou a pentear

A cada mecha, a cada trança

Uma memória, uma lembrança

Que o medo não pode a