Eduardo Acaiabe, ator, diretor e produtor cultural, também dirige há dois anos a solenidade de premiação do Troféu Raça Negra. No entanto, antes de ser o diretor dessa grande celebração da cultura negra, ele foi assistente em quatro edições anteriores.

Eduardo, que é filho de metalúrgico e sobrinho do ator João Acaiabe, cresceu envolvido pelo teatro, pois conta que sempre que possível, ia assistir as apresentações do tio.

Essa atração pelo ‘mundo do espetáculo’ também o levou quando menino, a participar das atividades de um circo-escola.

Depois de ‘grande’, ele resolveu estudar Comunicação e Análise de Sistemas, mas a paixão pelo teatro continuava latente, tanto que começou a trabalhar com o tio como contrarregra de suas apresentações.

Algum tempo depois, Eduardo finalmente se renderia à paixão pela área teatral e trabalharia como ator. Entre os principais trabalhos que fez atuando estão os filmes ‘Lula, o filho do Brasil’ e ‘Bom dia Eternidade’ e a série ‘Carcereiros’ da Rede Globo.

Foi assim, aos poucos e conhecendo os vários lados do processo de construção de um espetáculo, que Eduardo chegou ao posto de diretor artístico do Troféu Raça Negra.

Sobre ele, Eduardo afirma ter se ‘apaixonado’ desde que começou a trabalhar como assistente.

No entanto, ao passar a dirigi-lo, a responsabilidade aumentou e ele afirma que uma das principais atribuições de sua função é controlar o tempo de cada atração do espetáculo e, sobretudo, deixar o homenageado feliz diante da narrativa que é preparada para o ‘grande dia’. Esta envolve os principais pontos da trajetória do homenageado, bem como as músicas mais marcantes de sua vida.

No caso da homenageada deste ano, Zezé Motta, Eduardo afirma que sempre a admirou. Os dois chegaram, inclusive, a trabalhar juntos nos filmes ‘Broder’ e ‘Bom dia Eternidade’, lançados em 2010.

Mas, como diretor artístico do espetáculo que iria homenageá-la, Eduardo teria outras tarefas. Ele que também é contador de histórias, teria que pesquisar a vida da atriz, conhecer os principais fatos de sua carreira, ler entrevistas dadas por ela para, em seguida, montar um painel da vida de Zezé e, a partir daí, construir a apresentação da noite de entrega do troféu.

Sobre esse processo, ele conta que é uma tarefa que exige muita sensibilidade, pois o homenageado precisa ser surpreendido e as fases de sua vida devem por isso ser escolhidas ‘a dedo’.

Em relação a Zezé, por exemplo, aspectos ligados à religiosidade, educação e feminismo (pois Zezé foi desde sempre, uma mulher empoderada quando isso nem era moda) orientaram a montagem da apresentação que a haveria em torno dela.

Isso explica a presença do cantor Luiz Melodia _ que também foi homenageado nesta edição através de sua esposa e filho_ pois Zezé interpretou lindamente algumas músicas dele. Acaiabe também revela que Mahal não sabia como seu pai _ Luiz Melodia _ seria homenageado.

Vale lembrar que a escolha de Zezé Motta como homenageada deste ano também teve o ‘dedo’ de Eduardo Acaiabe, pois vários nomes foram cotados, mas a decisão final teve sua participação.

Eduardo Acaiabe lembra ainda que apesar de toda a preparação para que o Troféu aconteça, como se trata de um evento que lida com emoções à flor da pele, há um momento em que não é possível controlar os acontecimentos e é função deles, enquanto responsáveis pela festa, deixarem que a emoção dê o tom.

Ao finalizar, ele afirma que gostaria de colocar todas as manifestações artísticas durante o espetáculo, as pernas de pau, por exemplo, foram incluídas porque tem a ver com o circo e também porque Zezé é filha de Oxum.

Sobre as outras atrações inseridas na apresentação deste ano, ele conta que por causa das desavenças religiosas, o princípio do texto de abertura era promover o amor, o afeto, a educação e o respeito.

E, em relação ao coral que está em todas as edições do troféu, trata-se, segundo ele, de uma presença fundamental para que a noite seja inesquecível.