O espetáculo, que contou com a exibição de um vídeo que apresentava imagens de representantes de diversos grupos religiosos, teve como objetivo promover o amor, o afeto, a educação e o respeito.

O grupo Ilú Obá De Min foi escolhido para se apresentar durante a exibição do vídeo que foi reproduzido em um telão na cerimônia do Troféu Raça Negra 2017 que ocorreu na Sala São Paulo.

E, enquanto ocorria a apresentação presencial, as demais religiões eram vistas à distância para que fosse representado ali, o protagonismo dos grupos religiosos de matriz africana que são aqueles que mais sofrem com a intolerância religiosa no Brasil.

Formado por trezentas ritmistas, o Ilú Obá De Min é também um símbolo do protagonismo feminino pois, ao som dos tambores, as mulheres que formam o bloco representam a cultura afro-brasileira e a luta das mulheres, uma alusão, principalmente, à mulher negra que ainda é aquela que mais sofre violência, tem os menores salários e menos oportunidades.

O bloco fez o espetáculo juntamente com duas pernas de pau representando orixás, criado uma performance que enriqueceu a homenagem feita à atriz Zezé Motta, filha de Oxum. O diretor artístico do Troféu Raça Negra 2017, Eduardo Acaiabe, pretendia trazer linguagens artísticas diferentes para o Troféu Raça Negra e, ao conhecer o grupo, reconheceu na entrada dos orixás em pernas-de-pau _ que também são uma forte manifestação estética_ a linguagem circense com a qual ele se identificou bastante por ter feito circo-escola na adolescência.

Conheça o bloco Ilú Obá De Min

A Associação Ilú Obá De Min que surgiu em São Paulo após longos anos de pesquisa em torno das culturas de matriz africana e afro-brasileira, é uma entidade sem fins lucrativos que divulga a cultura negra no Brasil. O bloco enche as ruas paulistanas de cânticos que chamam a atenção para a ancestralidade negra.

Em Yorubá (Candomblé), Ilú significa ‘tambor’, Obá ‘Xangô Rei’ e ‘De Min’, em livre tradução, significa ‘para mãos femininas’, assim Ilú Obá De Min significa “Mãos Femininas que tocam tambor para Xangô”.