A grande homenageada deste ano foi a atriz Zezé Motta

No dia 20 de novembro de 2017 a Sala São Paulo foi palco do maior espetáculo de enaltecimento à raça negra já visto tanto no Brasil, quanto no mundo.

Neste dia, ativistas, gestores, artistas e personalidades que escrevem a história do povo negro no cenário internacional tiveram o reconhecimento de um trabalho que envolve sempre muita luta e dedicação. Na ocasião, negros e não negros que militam em prol da igualdade por meio de ações afirmativas ou através de seu próprio exemplo de sucesso, também estiveram presentes.

Todas as atividades da noite de premiação foram conduzidas pelo casal de apresentadores Rappin’ Hood e Patrícia de Jesus e, tanto o rapper, quanto a modelo, abrilhantaram a noite de comemoração do Dia da Consciência Negra com muito bom humor. A edição 2017 também teve como orador o Presidente de Cabo Verde, Jorge Calos Fonseca, e o chefe de estado falou sobre a relação do Brasil com o seu país e também sobre a necessidade de se combater o racismo, pois, segundo ele “democracia não rima com racismo”.

Presidente de Cabo Verde, Jorge Calos Fonseca, Zezé Motta e o Reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente

 

Já o Reitor José Vicente, idealizador da Afrobrás (Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural) responsável pela primeira instituição de ensino superior do país dedicada à formação de negros, a Faculdade Zumbi dos Palmares, sediada em São Paulo, iniciou seu discurso lembrando que a cerimônia é a oportunidade de se ver “o negro aplaudindo e prestigiando outro negro”.

Em relação aos homenageados, estes atuam nas mais diversas áreas, desde educação e cultura, até a área da saúde e o mercado corporativo.

A premiação aconteceu em três blocos entre as apresentações artísticas que compuseram o tributo à homenageada principal, Zezé Motta. Durante a cerimônia, poesias foram recitadas por um time de intérpretes que incluiu nomes como o dos atores Déo Garcez e Romeu Evaristo; das atrizes Maria Ceiça e Maria Gal que, por sua vez, deram vida aos textos dos escritores Sérgio Vaz, Souza Anamari, Aline Djokic e Conceição Evaristo e também do compositor, Luiz Melodia. O músico, aliás, esteve presente durante todo o evento devido à importância que teve na carreira e na vida da homenageada da noite, Zezé Motta. Representado por seu filho, Mahal Reis, Luiz Melodia também recebeu o Troféu Raça Negra que foi entregue pela Presidente do evento, Francisca Rodrigues. E, ao lado da cantora baiana Xênia França, Mahal interpretou a canção “Magrelinha”.

Mahal Reis e Xênia França

 

Durante a celebração, as religiões de matriz africana foram lembradas com a apresentação do grupo paulista Ilú Obá De Min. O bloco, formado por mulheres ritmistas, surgiu no fundo da sala de concerto simultaneamente à exibição em um telão, de um vídeo que mostrava representantes de líderes de outras crenças religiosas. O objetivo desta apresentação foi discutir a necessidade de que haja mais tolerância religiosa.

A cerimônia também contou com a presença do Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Luiz Penna, e ainda participaram do ato solene que antecedeu o Hino Nacional ( interpretado por Diego Lima, revelação do coral da Afrobrás), a Ministra da Educação, Maria Helena Guimarães, e o porta-voz do Banco Bradesco, André Cano.

Após o hino, os primeiros premiados foram a fundadora da empresa ‘Beleza Natural’, Zica Assis, responsável por difundir e valorizar os cabelos crespos. Hoje sua empresa é uma das maiores redes de salões de beleza do Brasil que, além de fortalecer o movimento de valorização dos cabelos cacheados/encrespados também estimula a cultura do empreendimento. Em seguida, foi a vez da primeira aluna cotista na Faculdade de Medicina de Jundiaí, Dra. Karen Eloise de Andrade Firne, proveniente do programa “Mais Negros nas Universidades” da Afrobrás, receber a estatueta. Depois, a Major Helena dos Santos Reis, a primeira negra a atuar como Secretária Chefe da Casa Militar e Coordenadora Estadual de Defesa Civil do Estado de São Paulo, nomeada pelo governador Geraldo Alckmin, também receberia uma estatueta. Em seguida, o publicitário Paulo Rogério Nunes, empreendedor e cofundador do ‘Instituto de Mídia Étnica’ do Portal Correio Nagô e também criador do empreendimento Vale do Dendê, recebeu seu troféu. Depois, o representante da comunidade judaica, Floriano Pesaro, ativista no combate à intolerância e discriminação racial; o Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marco Pellegrini; o prefeito regional do bairro de Pirituba, Ivan Renato de Lima; também foram agraciados com troféus que foram entregues por Josemara Tsuruoka, representante da empresa patrocinadora do evento, EMS.

Já no segundo bloco, receberam as estatuetas que foram entregues pelo escritor Paulo Lins, o empresário João Saad, presidente do grupo Bandeirantes, empresa parceira na divulgação e valorização de temas relacionados aos negros brasileiros; o ator, escritor, cantor e artista revelação mais premiado do ano pela Rede Globo de Televisão, Ícaro Silva; o cartunista Maurício de Sousa, bem como sua criação, o personagem negro Jeremias, da Turma da Mônica. Dois reitores também receberam a estatueta neste bloco: Marcelo Knobel, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e Marco Antônio Zago, da USP (Universidade de São Paulo), em razão dos programas de cotas para negros que foram criados por ambos nos respectivos quadros acadêmicos e nos processos seletivos das faculdades que gerenciam.

Ainda foram homenageadas: Dandara Mariana, atriz e bailarina; Rachel Maia, CEO do grupo Pandora e única negra brasileira em uma posição como esta; Ismael Ivo, Chefe do Balé do Theatro Municipal de São Paulo, e Maria Helena.

 

Guimarães, Ministra da Educação. O terceiro bloco de premiações sucedeu a apresentação da musica “Pérola Negra”, de autoria de Luiz Melodia, feita pela banda ‘As Bahias e a Cozinha Mineira’.

No encerramento da cerimônia o cantor Criolo cantou o grande sucesso que marcou a biografia de Zezé Motta: a música “Senhora Liberdade”, um samba que se tornou emblemático por falar sobre liberdade e amor a terra.

Em sua apresentação, Criolo também declamou um poema sobre desigualdade racial.